Prêmio Engenho Mulher destaca lideranças femininas que promovem transformação social no DF

 Três mulheres que desenvolvem projetos de impacto social no Distrito Federal serão homenageadas na quarta edição do Prêmio Engenho Mulher – Reconhecimento a quem nos Transforma. 

A cerimônia acontece na próxima segunda-feira (25/5), no Museu de Arte de Brasília (MAB), reunindo iniciativas ligadas à educação, cultura, sustentabilidade e inclusão social.

As vencedoras deste ano são a professora Ana Paula Bernardes, responsável pela Biblioteca Comunitária Roedores de Livros, em Ceilândia; a bióloga Anabele Stefânia Gomes, presidente da Rede de Sementes do Cerrado; e a escritora e atriz Cristiane Sobral, referência nacional da literatura negra contemporânea.

Criadora e presidente do prêmio, a jornalista Kátia Cubel afirmou que a edição de 2026 reforça o papel da educação como instrumento permanente de transformação social.

“Temos nesta edição mulheres que atuam diretamente na construção de mudanças duradouras por meio do conhecimento, especialmente em locais onde o acesso a oportunidades e ferramentas de cidadania ainda é limitado”, destacou.

As homenageadas foram escolhidas entre mais de 30 indicadas por um júri composto exclusivamente por jornalistas mulheres: Basília Rodrigues, Cláudia Meirelles, Márcia Zarur, Neila Medeiros, Paola Lima e Sibele Negromonte.

Segundo Kátia, o prêmio busca reconhecer mulheres que promovem mudanças relevantes muitas vezes sem grande visibilidade pública.

“O objetivo é valorizar trajetórias transformadoras, ampliar espaços de fala e incentivar outras mulheres a acreditarem em seu potencial e seguirem realizando seus sonhos”, afirmou.

Ela também ressaltou o legado deixado pelas vencedoras.

“As homenageadas protagonizam ações extraordinárias, muitas vezes em contextos de dificuldade e escassez. Com coragem e persistência, ajudam a construir uma sociedade melhor e inspiram novos olhares de esperança e transformação”, declarou.

Leitura como ferramenta de inclusão

Professora da rede pública e formada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), Ana Paula Bernardes criou, em 2006, a Biblioteca Comunitária Roedores de Livros, em Ceilândia, a partir da dificuldade de acesso à leitura na região.

Atualmente, o espaço reúne mais de 5 mil livros voltados ao público infantil e juvenil e desenvolve atividades como oficinas, mediação de leitura, contação de histórias e encontros literários.

“Muitas crianças chegam sem hábito de leitura e com dificuldade de concentração. Aos poucos, por meio das histórias e do acolhimento, elas criam vínculos, desenvolvem a escuta e encontram formas de se expressar”, contou a educadora.

A iniciativa se tornou referência nacional em incentivo à leitura e impacto social, especialmente com o Projeto Caxinguelê, desenvolvido em parceria com a UnB.

Preservação ambiental e fortalecimento feminino

À frente da Rede de Sementes do Cerrado, Anabele Stefânia Gomes coordena ações que unem recuperação ambiental, geração de renda e fortalecimento comunitário.

O projeto envolve comunidades tradicionais, quilombolas, assentamentos e pequenos produtores rurais em atividades ligadas à coleta e valorização de sementes do Cerrado.

Segundo Anabele, o trabalho também promove autoestima e pertencimento entre as mulheres participantes.

“A coleta gera renda, mas também cria conexões, apoio coletivo e fortalecimento emocional. Muitas mulheres relatam melhora na autoestima e até superação de momentos difíceis por meio desse trabalho conjunto”, explicou.

Anabele é formada em Biologia pela Universidade de Passo Fundo e possui mestrado e doutorado em Botânica pela UnB, onde também atua como pesquisadora.

Arte, educação e representatividade

Escritora, atriz, dramaturga e professora, Cristiane Sobral é considerada uma das principais vozes da literatura negra brasileira atual.

Primeira atriz negra formada em Interpretação Teatral pela UnB, ela construiu sua trajetória valorizando temas ligados à ancestralidade, identidade negra e democratização do acesso à educação.

Cristiane é autora de 13 livros. Entre as obras de destaque está “Não Vou Mais Lavar os Pratos”, incluída como leitura obrigatória do Programa de Avaliação Seriada (PAS) da UnB. O livro “Pretos em Contos” também ganhou projeção ao ser finalista do Prêmio Jabuti.

“Esse reconhecimento simboliza sonhos construídos através da educação, da arte e da literatura. Também representa a luta e a resistência de quem abriu caminhos antes de nós”, afirmou.

Atualmente, Cristiane integra a Academia de Letras do Brasil, atua na Secretaria de Educação do DF e ocupa a diretoria de Relações Institucionais do Instituto Nacional Afro-brasileiro.

Apoio ao evento

O 4º Prêmio Engenho Mulher conta com patrocínio da Fibra, do programa Glass is Good e de Alves Correa & Veríssimo Advogados Associados. O evento também recebe apoio do Sebrae-DF, Boulevard Shopping, Secretaria de Economia Criativa e Museu de Arte de Brasília.

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