A trajetória de Celina Leão à frente do Distrito Federal tem sido marcada pela atuação em momentos de forte instabilidade política e institucional.
Ainda como vice-governadora, ela assumiu papel central após os acontecimentos de 8 de janeiro, quando o afastamento temporário do então governador Ibaneis Rocha e a intervenção federal na segurança pública colocaram o governo local sob intensa pressão.
Naquele período, Celina buscou ampliar o diálogo com as instituições e trabalhou para preservar a governabilidade e os recursos do Fundo Constitucional do Distrito Federal, fundamentais para o financiamento da segurança pública e para o suporte às áreas de saúde e educação.
Agora no comando do Palácio do Buriti, a governadora enfrenta uma nova crise, desta vez envolvendo o Banco de Brasília. As investigações relacionadas às operações realizadas com o Banco Master levantaram suspeitas sobre possíveis fraudes, aquisição de carteiras de crédito de baixa qualidade e prejuízos bilionários.
As apurações conduzidas pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, incluem prisões, depoimentos e medidas judiciais para o bloqueio de bens e o rastreamento de ativos. Em diferentes frentes investigativas, os valores alcançados pelas ordens de indisponibilidade chegam à casa dos bilhões de reais.
Embora adversários políticos tentem atribuir à atual gestão os efeitos da crise, aliados destacam a postura de Celina na tentativa de responsabilizar os envolvidos e, ao mesmo tempo, preservar o BRB como uma instituição estratégica para o Distrito Federal.
A manutenção da estabilidade do banco é considerada importante para proteger empregos, garantir a oferta de crédito e evitar impactos sobre programas, investimentos e políticas públicas financiadas no DF.
Ainda não é possível estabelecer um prazo para a eventual recuperação dos valores. O processo depende da localização dos recursos, da efetivação dos bloqueios, da identificação de estruturas patrimoniais e de decisões judiciais definitivas.
O episódio deixa um alerta para a administração pública: instituições financeiras controladas pelo Estado devem ser conduzidas com responsabilidade, transparência e rigor, sem servir a interesses privados ou operações de risco incompatíveis com sua finalidade.


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