Quem cuida de quem lidera? Saúde mental dos gestores ganha atenção nas empresas



 Pressão por resultados, tomada de decisões e responsabilidade pelas equipes podem aumentar o estresse e afetar o bem-estar emocional de profissionais em cargos de liderança 


A rotina de quem ocupa cargos de liderança envolve desafios constantes, como cobrança por resultados, tomada de decisões estratégicas e gestão de equipes. Segundo a psicóloga Denise Milk, esse cenário pode aumentar a sobrecarga emocional e exige atenção à saúde mental dos gestores.


“Existe uma crença de que alta performance está relacionada à capacidade de suportar pressão o tempo todo. Mas, na prática, resultados consistentes são construídos a partir de uma condição de equilíbrio. Quando falamos em saúde mental, falamos justamente da capacidade de viver e trabalhar em uma condição de bem-estar, mesmo diante dos desafios”, afirma Denise Milk.


A especialista explica que muitos líderes deixam de observar os próprios limites por acreditarem que precisam estar sempre disponíveis e preparados para resolver problemas. Além disso, o contexto atual tornou a liderança mais complexa.


“Hoje, os líderes não administram apenas metas e indicadores. Eles lidam diariamente com pessoas que chegam mais sobrecarregadas emocionalmente, mais inseguras e, muitas vezes, com menor repertório para enfrentar adversidades. Isso exige muito mais maturidade emocional de quem lidera”, afirma a psicóloga.


Com isso, sinais de estresse, cansaço excessivo e dificuldade de concentração acabam sendo ignorados.


“Hoje não é mais possível exercer liderança apenas com competência técnica. Liderar pessoas exige inteligência emocional, capacidade de compreender comportamentos, administrar conflitos e tomar decisões sob pressão. Mas, antes de cuidar da equipe, o líder precisa aprender a lidar com as próprias emoções. O autoconhecimento deixou de ser um diferencial para se tornar uma competência essencial”, conclui Denise Milk.


Denise Milk ressalta que a saúde mental dos gestores também deve ser uma preocupação das empresas, que podem criar ambientes mais abertos ao diálogo e incentivar práticas de prevenção.


“Cuidar da saúde mental dos líderes não beneficia apenas esse profissional. Líderes emocionalmente equilibrados tomam melhores decisões, constroem relações mais saudáveis e fortalecem a cultura da organização. Empresas saudáveis começam por lideranças que conseguem exercer seu papel com equilíbrio”, afirma a psicóloga.

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