CEO da Controller Assessoria Contábil relata trajetória iniciada ainda na infância, defende capacitação contínua e aponta relacionamento, tecnologia e formação de pessoas como fatores essenciais para a sustentabilidade dos negócios

A empresária e contadora Alessandra Neiva Amorim, fundadora e CEO da Controller Assessoria Contábil, construiu uma trajetória profissional marcada pelo empreendedorismo, pela formação de pessoas e pela busca constante por inovação. Com mais de 27 anos de experiência no mercado, ela também atua como palestrante, mentora de empresários e integrante de movimentos voltados à liderança e ao empreendedorismo feminino.
Em entrevista ao Podfex, podcast da FEX Educação, Alessandra relembrou que seu espírito empreendedor começou a ser desenvolvido ainda na infância. Após perder o pai aos 9 anos, passou a buscar formas de contribuir com o próprio sustento. A família tinha oito filhos, e a mãe trabalhava como professora.
“Eu olhava para ela e falava: ‘Meu Deus, eu sou mais um peso na vida da minha mãe’. Então, desde pequenininha, comprei aquela caixinha de linhas e botões e vendi na vizinhança para fazer um dinheirinho e comprar meu próprio sustento”, contou.
Com o passar dos anos, Alessandra vendeu roupas, utensílios domésticos e outros produtos. Segundo ela, essas experiências ajudaram a desenvolver uma habilidade comercial que posteriormente se tornou importante na construção de sua empresa. “Eu acho que dali surgiu a Alessandra empreendedora e vendedora”, afirmou.
Da carreira bancária ao próprio escritório
Formada em Contabilidade, Alessandra iniciou a vida profissional no Unibanco. Durante o período na instituição financeira, passou por áreas como análise de crédito, cobrança e treinamento, acumulando conhecimentos que mais tarde utilizaria na atividade contábil.
Mesmo ocupando uma posição profissional estável e com boa remuneração, decidiu deixar o banco para aprender, na prática, como funcionava um escritório de contabilidade. “Eu larguei tudo. Fui para um estágio não remunerado em um grande escritório de contabilidade e fiquei lá por um ano, entendendo como funcionava cada departamento e aprendendo todos os detalhes para montar o meu”, relatou.
Aos 23 anos, iniciou o próprio negócio com estrutura reduzida. “Comecei a Controller com uma mesa emprestada e um computador velho. Comecei aos 23 anos, praticamente sem nada, só com a mesa e a coragem”, disse.
Em menos de um ano, segundo a empresária, o escritório já atendia cerca de 30 clientes. Ao longo dos anos, a carteira cresceu e a empresa passou a atender centenas de negócios de diferentes portes e segmentos.
Venda e relacionamento como estratégia
Para Alessandra, uma empresa precisa desenvolver capacidade comercial independentemente do setor em que atua. Ela conta que, durante muito tempo, chegou a considerar improvável a existência de uma estrutura comercial dentro de um escritório contábil, percepção que mudou com a expansão do negócio. “Você não sabe como mudou a vida da minha empresa e dos meus negócios a partir do momento em que eu montei um comercial”, afirmou.
A empresária também considera que a capacidade de relacionamento é uma das principais ferramentas para a geração de oportunidades. Além de participar de eventos empresariais, Alessandra atua em grupos de mulheres e mantém uma rotina frequente de networking. “Eu gosto de conectar pessoas, e isso é gratuito. Você faz essa conexão com prazer, sem ganhar nada em troca. Eu gosto de ser escada para outras mulheres e para outros empresários”, declarou.
Na visão da executiva, o trabalho de um contador também deve ultrapassar a prestação dos serviços básicos previstos em contrato. Ela defende uma atuação próxima e consultiva junto ao empresário. “Entregar a contabilidade, entregar o básico, é obrigação. Faz parte do contrato. A gente acaba criando um vínculo e sendo muito mais parceira do empresário”, explicou.
Educação contínua para acompanhar as mudanças
Um dos temas defendidos por Alessandra é a educação continuada dentro das empresas. Segundo ela, as rápidas transformações tecnológicas e de mercado tornam insuficiente depender apenas da formação obtida no início da carreira. “O mundo muda toda hora. Se você não estudar, se você não evoluir, você não acompanha o mercado. Acreditar apenas naquele curso de graduação que você fez há 20 ou 30 anos não é mais suficiente”, afirmou.
Na Controller, essa visão levou à criação de estratégias para capacitação e formação de novos profissionais. Uma delas consiste em integrar estagiários à operação, treiná-los em carteiras de menor complexidade e, posteriormente, selecionar os profissionais mais preparados para assumir novas funções. Para Alessandra, a formação de pessoas também está diretamente relacionada à sucessão empresarial. “Se o empresário não tiver o filho como sucessor, ele pode ter o próprio colaborador como sucessor. A empresa pode continuar desde que ele forme, dentro da própria equipe, pessoas que deem continuidade ao negócio”, destacou.
Inteligência artificial deve mudar funções, não eliminar profissionais qualificados
A empresária também abordou o avanço da inteligência artificial e de novas tecnologias na contabilidade. Para ela, essas ferramentas devem acelerar o processamento de informações e reduzir trabalhos operacionais, mas continuarão exigindo profissionais capazes de interpretar os dados e orientar os clientes. “A tecnologia vai ajudar a processar mais rápido, mas não vai substituir. Eu preciso de analistas, de pessoas inteligentes e estratégicas, porque só a informação pela informação não adianta nada”, afirmou.
Na avaliação de Alessandra, o profissional contábil tende a assumir um papel cada vez mais consultivo.
“Quando você leva uma informação para o cliente, precisa dar uma orientação sobre o que ele vai fazer com aquela informação. Não é simplesmente entregar um dado”, disse.
Ela também defende que empresários e gestores precisam desenvolver conhecimentos que vão além de suas especialidades técnicas. Gestão financeira, liderança, comunicação, marketing e vendas, segundo a executiva, passaram a fazer parte das competências necessárias para administrar um negócio. “A pessoa parada morre”
Ao final da entrevista, Alessandra resumiu sua visão sobre empreendedorismo em uma recomendação para empresários que buscam permanecer competitivos. “Nunca desistam. Estejam sempre buscando, se transformando e se mantendo em movimento. A pessoa parada morre. Ela precisa se movimentar, acompanhar o mercado e acompanhar o mundo”, afirmou.
A trajetória de Alessandra Neiva Amorim reforça uma visão de gestão baseada em movimento constante, formação de pessoas, relacionamento e adaptação. Para a empresária, sobreviver em um ambiente de negócios cada vez mais competitivo exige não apenas conhecimento técnico, mas disposição permanente para aprender, transformar processos e preparar novas lideranças.


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