Perda rápida de peso e ingestão insuficiente de nutrientes podem afetar o ciclo dos fios; emagrecimento também exige atenção às mudanças na pele
A queda de cabelo durante o uso das chamadas canetas emagrecedoras tem sido registrada em pesquisas científicas e nos consultórios dermatológicos. Uma revisão publicada em 2026, que reuniu 24 estudos, identificou associação entre alguns desses medicamentos e a queda dos fios. A perda rápida de peso e a redução da ingestão de nutrientes estão entre os fatores investigados para explicar o problema.
Outra pesquisa, publicada em julho deste ano no The BMJ, encontrou maior risco de alopecia entre adultos com diabetes tipo 2 que utilizavam agonistas do receptor de GLP-1, em comparação com usuários de outras classes de medicamentos para diabetes. Embora o risco absoluto tenha sido baixo, o resultado reforça a importância de acompanhar a saúde dos cabelos durante o tratamento.
Segundo a dermatologista Kamilla Feitosa, da Clínica Audatti, a queixa aparece entre pacientes que utilizam essas medicações. A avaliação considera a evolução do peso, a alimentação, o histórico de saúde e as características da queda para identificar os fatores envolvidos e definir o tratamento.
Popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, esses medicamentos incluem agonistas do receptor de GLP-1 e terapias com ação combinada nos receptores de GIP e GLP-1, envolvidos na regulação do apetite e da glicose.
Perda rápida de peso pode alterar o ciclo dos fios
Uma das condições relacionadas ao emagrecimento é o eflúvio telógeno, caracterizado pelo aumento da quantidade de cabelos que entram na fase de queda após um fator desencadeante. A perda significativa de peso pode provocar essa alteração, que costuma se manifestar alguns meses depois.
A redução do apetite também exige atenção à qualidade e à quantidade dos alimentos consumidos. Uma ingestão insuficiente de proteínas, ferro, zinco e outros nutrientes pode comprometer a manutenção dos fios e contribuir para a queda.
Por isso, o acompanhamento nutricional durante o emagrecimento ajuda a identificar inadequações na alimentação e eventuais deficiências. A investigação dermatológica permite avaliar se a queda está relacionada a esse processo ou a outras condições.
Diagnóstico orienta o tratamento
A associação identificada pelas pesquisas não estabelece que todos os casos sejam provocados diretamente pelo medicamento. Alterações da tireoide, outras doenças e diferentes tipos de alopecia também precisam ser considerados.
A dermatologista relata o caso de uma paciente que chegou ao consultório atribuindo a queda dos cabelos à caneta emagrecedora que utilizava. Durante a investigação, foi identificado hipertireoidismo, alteração hormonal que também pode causar queda dos fios.
“Nem sempre o que a gente pensa que é, é de verdade. A gente precisa de uma avaliação bem criteriosa”, afirma.
O diagnóstico orienta a conduta: deficiências nutricionais devem ser corrigidas quando identificadas, enquanto doenças associadas precisam de tratamento específico. Nos casos de eflúvio telógeno, a queda pode ser temporária e melhorar após o controle do fator desencadeante, com recuperação gradual do volume dos cabelos.
“Queda de cabelo é um sintoma. A gente precisa descobrir a causa”, reforça Kamilla.
O aparecimento do sintoma deve ser comunicado ao médico responsável pelo tratamento e avaliado pelo dermatologista. A suspensão da medicação e o uso de suplementos não devem ocorrer por conta própria.
Emagrecimento também pode alterar a firmeza e a elasticidade da pele
A perda expressiva de peso também pode repercutir na pele do rosto e do corpo. Com a redução da gordura sob a pele, há diminuição do suporte dos tecidos, o que pode favorecer flacidez e excesso de pele. A capacidade de adaptação a essa mudança varia conforme fatores como idade, elasticidade prévia e intensidade do emagrecimento.
Uma revisão científica publicada em 2026 na revista Aesthetic Plastic Surgery reuniu trabalhos sobre mudanças na qualidade da pele durante tratamentos com agonistas de GLP-1, incluindo alterações de elasticidade e da estrutura dérmica. Os autores destacam a necessidade de estudos prospectivos para esclarecer os mecanismos envolvidos.
A dermatologista Cintia Cunha, da Clínica Audatti, chama atenção para os cuidados com a pele durante o processo de emagrecimento. Alimentação adequada, hidratação, proteção solar e acompanhamento dermatológico fazem parte dessa atenção. Tratamentos específicos podem ser avaliados conforme as alterações apresentadas e as necessidades de cada paciente.
O acompanhamento permite avaliar tanto a flacidez quanto outras mudanças na qualidade da pele e orientar os cuidados ao longo do tratamento.



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