Enquanto agentes de IA começam a influenciar
compras, jovens da geração Z recolocam a casa própria no centro dos planos,
marcas brasileiras buscam escala global e instituições de ensino e pesquisa
precisam traduzir ciência em impacto, cinco executivas mostram que inovação
deixou de ser sinônimo de ferramenta nova: virou uma disputa por contexto,
reputação, pertencimento e relevância real.
A palavra inovação virou
senha de prestígio no vocabulário corporativo. Ela aparece em apresentações,
campanhas, painéis, relatórios de tendências e discursos de liderança. Mas, em
um mercado saturado por promessas tecnológicas, a pergunta que começa a separar
estratégia de ruído é outra: inovar para quê, para quem e com qual
consequência?
A provocação ganha força
justamente no momento em que a inteligência artificial deixa de ser um
acessório e passa a operar como infraestrutura do marketing. Relatórios
recentes da Kantar apontam que 2026 será marcado pela adoção em escala de
agentes de IA, pela ascensão da otimização para motores generativos e pela
necessidade de as marcas dialogarem não apenas com consumidores humanos, mas
também com sistemas capazes de pesquisar, comparar e recomendar produtos. Nesse
novo cenário, se a marca não é compreendida pelos modelos, ela corre o risco de
simplesmente não aparecer na decisão.
Ao mesmo tempo, o avanço
da automação expõe uma contradição: quanto mais a tecnologia se torna
acessível, mais difícil é sustentar diferenciação apenas pela ferramenta. O que
passa a valer é a qualidade da pergunta, a consistência da narrativa, a ética no
uso dos dados e a capacidade de construir confiança em ambientes de atenção
fragmentada. Em outras palavras, a próxima grande inovação do marketing pode
estar menos no software e mais na forma como empresas compreendem pessoas.
É nesse ponto que a
trajetória de cinco mulheres ajuda a iluminar uma virada relevante no marketing
contemporâneo. Carolina Nucci, cofundadora e CMO da Conectas, professora da
ESPM, LinkedIn Top Voice e TEDx Speaker, observa a inovação a partir da intersecção
entre academia, engenharia, jornalismo e estratégia. Meggy Oliveira, Head of
Marketing da TRINCA, atua na expansão internacional de marcas brasileiras.
Mirella Silva da Silva, Coordenadora de Inteligência de Mercado do Inatel,
trabalha a reputação institucional a partir da conexão entre ciência, mercado,
tecnologia e impacto. Natiele Machado Rios, Head de Marketing da Neximob, leva
tecnologia, leitura de comportamento e estratégia comercial para um dos setores
mais tradicionais da economia: o mercado imobiliário. Gabriela Dias,
Neurocomunicóloga, jornalista e CEO da GET Comunicações – Assessoria de
Imprensa Tier 1 e Marketing Strategy, trabalha a comunicação estratégica como
ativo de reputação, autoridade e influência.
As cinco convergem em um
diagnóstico: a inovação que vai sobreviver ao ciclo do hype não será aquela que
apenas adota a ferramenta mais recente. Será a que consegue interpretar
contextos, traduzir dados em decisões, transformar conhecimento técnico em valor
percebido, construir narrativas confiáveis e conectar marcas a pessoas de forma
consistente. Em tempos de IA, hiperpersonalização e excesso de conteúdo, o
humano deixa de ser contraponto da eficiência e passa a ser vantagem
competitiva.
Quando a IA vira commodity,
confiança vira vantagem competitiva
A inteligência artificial
deixou de ser promessa periférica para se tornar infraestrutura central do
marketing. A ascensão de agentes de IA, buscas generativas e personalização em
escala já altera a forma como marcas são descobertas, recomendadas e avaliadas.
Mas, para Carolina Nucci, cofundadora e CMO da Conectas, professora da ESPM,
LinkedIn Top Voice e TEDx Speaker, o debate mais relevante não está em celebrar
a tecnologia, e sim em entender o que ela desloca.
Carolina sustenta que,
quanto mais a IA escala velocidade e personalização, mais raro se torna o que é
genuinamente humano. “A fronteira competitiva dos próximos anos não vai ser
quem tem a melhor IA, vai ser quem usa a IA sem perder a carteirinha de ser
humano”, diz. Na visão dela, confiança será o ativo mais difícil de
construir, e também o mais difícil de copiar.
A fala dialoga com uma
preocupação crescente do setor. Em um ambiente no qual assistentes de compra,
chatbots e mecanismos generativos passam a intermediar decisões, marcas
precisarão ser legíveis tanto para pessoas quanto para máquinas. Mas
legibilidade não basta. A recomendação algorítmica pode até abrir uma porta; a
permanência depende da percepção de valor, transparência e coerência.
Carolina Nucci evita o
entusiasmo acrítico. Para ela, a tecnologia precisa ser tratada como
amplificadora de pensamento, não como substituta de discernimento. “Já
existe consenso no mercado de que o modelo é ‘IA primeiro, humano sempre
disponível’, com a tecnologia cuidando do repetitivo e o humano focado nos
momentos de relação, de julgamento, de cocriação estratégica”, afirma.
A provocação central é
que a IA, por mais sofisticada que seja, tende a se democratizar. Quando todos
têm acesso a ferramentas semelhantes, a vantagem se desloca para a capacidade
de fazer perguntas melhores, interpretar sinais fracos, entender contextos
culturais e sustentar relações de confiança ao longo do tempo. “Quando todo
mundo tiver acesso à mesma tecnologia, o diferencial volta a ser exatamente o
que parecia obsoleto: confiança, vínculo, gente que se importa de verdade”,
resume.
A trajetória da executiva
reforça essa lógica. Antes da engenharia química e do marketing, ela estudou
jornalismo e atuou na área por quatro anos. Da comunicação, trouxe a
investigação e a habilidade de formular perguntas. Da engenharia, a disciplina
de compreender sistemas antes de intervir neles. “Engenheiros não consertam
o sintoma, primeiro a gente vai atrás da causa”, resume.
Essa combinação, segundo
ela, é especialmente relevante em uma área ainda marcada por decisões baseadas
no “eu acho” ou no “sempre fizemos assim”. “Dado sozinho não diz nada. Dado é
matéria-prima. O valor não está em coletar todos os dados possíveis, está em
saber qual pergunta você está tentando responder antes de olhar o número.”
E na transformação
digital, a sala de aula também mudou de papel. Se antes a universidade era
vista como espaço de transmissão de métodos validados e respostas certas, hoje
o desafio é preparar líderes capazes de pensar criticamente em ambientes nos
quais a ferramenta de ontem pode estar obsoleta amanhã.
“O que a
academia tem de mais valioso não é a resposta para tudo. É a capacidade de
perguntar”, diz Carolina.
“Ferramentas e métodos padronizados qualquer pessoa aprende em três tutoriais
no YouTube e um prompt de ChatGPT. Agora, pensamento estratégico e capacidade
de fazer conexões inteligentes entre áreas que habitualmente não conversam leva
tempo.”
A reflexão de Carolina
Nucci estabelece a primeira camada do debate: em um mercado no qual a
tecnologia tende a se tornar comum, a vantagem passa a estar na leitura crítica
do contexto. Mas contexto, no marketing, nunca é abstrato. Ele muda de país
para país, de cultura para cultura, de público para público. Se a IA exige
discernimento para não automatizar o pensamento, a expansão internacional exige
outro tipo de inteligência: a capacidade de traduzir a essência de uma marca
sem achatá-la em fórmulas globais.
Marcas brasileiras querem o mundo,
mas o mundo exige tradução cultural
Enquanto a tecnologia redefine a operação do marketing, a globalização pressiona marcas brasileiras a resolverem outro dilema: como crescer fora do país sem perder autenticidade? Para Meggy Oliveira, Head of Marketing da TRINCA, o maior desafio está em equilibrar escala global com relevância local.
“Algumas marcas brasileiras ainda subestimam a necessidade de adaptar posicionamento, narrativa e experiência do cliente às particularidades culturais e comportamentais de cada mercado”, afirma. Na avaliação da executiva, inovação em marketing internacional não se resume à adoção de ferramentas. “Passa a ser a capacidade de transformar insights em estratégias ágeis, personalizadas e sustentáveis para gerar crescimento internacional.”
As plataformas digitais,
nesse contexto, funcionam como laboratórios de internacionalização. Elas
permitem testar narrativas, validar propostas de valor e gerar inteligência de
mercado antes que a marca faça movimentos mais custosos. “É possível
identificar diferenças de comportamento entre públicos, personalizar mensagens
por segmento e otimizar campanhas com base em dados, reduzindo riscos e custos
de expansão”, explica Meggy.
Para ela, marcas
brasileiras que desejam disputar espaço global precisam combinar autenticidade,
inovação e agilidade. O próximo limite, afirma, será deixar de competir apenas
pela eficiência da execução e passar a disputar relevância por meio de propriedade
intelectual, visão estratégica e capacidade de influenciar mercados.
Na prática, isso
significa abandonar a ideia de que internacionalizar é apenas traduzir campanha
ou abrir mídia em outro país. A expansão exige leitura de hábitos, códigos
culturais, nível de maturidade digital, dinâmica competitiva e expectativas
locais de relacionamento com marcas. O que funciona no Brasil pode ser
irrelevante, inadequado ou pouco competitivo fora dele se não houver adaptação
estratégica.
Meggy Oliveira defende
que a liderança em marketing precisa assumir papel mais protagonista nesse
movimento. Para ela, as marcas brasileiras já demonstram criatividade e
adaptabilidade, mas precisam ocupar espaço também como criadoras de tendências,
experiências e soluções com potencial global.
A leitura de Meggy amplia
o raciocínio iniciado por Carolina: se a tecnologia exige critério, a escala
exige sensibilidade cultural. Em ambos os casos, inovação não está na adoção de
uma ferramenta, mas na qualidade da interpretação. Essa mesma lógica aparece em
outro território decisivo para o futuro do marketing: instituições de ensino e
pesquisa, que precisam transformar ciência, tecnologia e reputação em valor
compreensível para empresas, estudantes, governo e sociedade.
Quando a pesquisa precisa virar
valor percebido
Em instituições de ensino
e pesquisa, a inovação enfrenta um desafio particular: não basta produzir
conhecimento de ponta, é preciso torná-lo compreensível, relevante e
reconhecido por públicos diferentes. Para Mirella Silva, Coordenadora do Núcleo
de Inteligência de Mercado e Marketing Estratégico do Inatel, a reputação
construída pela instituição em telecomunicações é um ativo estratégico
justamente porque está sustentada por história, formação de profissionais,
pesquisa aplicada, relacionamento com empresas e contribuição para o
desenvolvimento tecnológico do país.
O desafio, segundo ela, é traduzir uma marca historicamente forte em telecomunicações para uma narrativa mais ampla, conectada às grandes transformações digitais. “O Inatel preserva sua essência em telecomunicações, mas amplia continuamente sua atuação para formar profissionais e desenvolver soluções para os desafios tecnológicos atuais e futuros”, afirma. Nesse movimento, áreas como 5G, 6G, inteligência artificial, IoT, cibersegurança e software deixam de ser apenas campos técnicos e passam a compor uma história institucional sobre futuro, impacto e autoridade.
A inteligência de
mercado, nesse contexto, opera como ponte entre produção científica e percepção
pública. Mirella explica que um dos papéis da área é transformar conhecimento
técnico em valor percebido, adaptando a linguagem para estudantes, empresas, governo,
imprensa, comunidade e sociedade. O ponto central é mostrar qual problema
determinada inovação resolve, para quem ela gera valor e por que a instituição
tem autoridade para liderar aquela conversa.
No Inatel Competence
Center, braço que conecta pesquisa ao mercado, essa tradução se torna ainda
mais concreta. “Não basta desenvolver tecnologia de ponta, é preciso mostrar
ao mercado como essa tecnologia pode gerar resultado concreto”, diz. Para
ela, o marketing estratégico ajuda a organizar a narrativa para que empresas
compreendam os diferenciais do Inatel: conhecimento acadêmico, capacidade de
pesquisa aplicada, infraestrutura laboratorial, equipe técnica e experiência em
projetos reais.
A fala amplia o debate
sobre reputação no marketing pós-hype. Em um ambiente no qual instituições
precisam demonstrar contribuição para empregabilidade, inovação,
desenvolvimento econômico e transformação social, reputação não nasce apenas da
visibilidade. Ela depende de evidências: indicadores, projetos, infraestrutura,
cases, parcerias e histórias reais de alunos, professores, pesquisadores e
egressos.
Mirella também aponta
tendências que devem pressionar instituições de ensino e pesquisa nos próximos
anos: uso mais estratégico da inteligência artificial na personalização da
jornada do aluno e na análise de dados, aproximação crescente entre academia e
mercado, e construção de marcas institucionais baseadas em propósito, impacto e
comunidades.
Essa camada recoloca a
inovação em outro patamar: se marcas precisam ser compreendidas por algoritmos,
consumidores e culturas diferentes, instituições científicas precisam ser
compreendidas também por ecossistemas inteiros. A pesquisa só vira impacto quando
encontra linguagem, contexto e aplicação. E essa lógica se conecta ao próximo
território da reportagem, no qual tecnologia, comportamento e estratégia
comercial se cruzam em um mercado tradicional e altamente simbólico: o
imobiliário.
No imobiliário, o digital não
substitui o tradicional: potencializa o que já vende
Em um setor conhecido
pela solidez e pela resistência a mudanças bruscas, Natiele Machado Rios
prefere evitar diagnósticos simplistas. Para a Head de Marketing da Neximob, o
marketing digital não deve ser tratado como ruptura absoluta com o tradicional,
mas como um amplificador de boas estratégias.
“O marketing digital, na verdade, é apenas um meio para fazer o que já é feito em termos de vendas no mercado imobiliário offline. Ele é um potencializador de bons produtos imobiliários e de qualquer estratégia que utilizarmos”, afirma. Para ela, o erro de muitas empresas está em acreditar que o tradicional deixou de funcionar. “Estatisticamente, o tradicional ainda vende mais que o online no mercado imobiliário, embora o online seja um grande impulsionador de resultados.”
A fala ganha peso em um
momento em que a Geração Z aparece com força no radar imobiliário. O dado que
ajuda a explicar essa mudança é contundente: levantamentos recentes da Brain
Inteligência Estratégica indicam que 59% dos jovens entre 21 e 28 anos pretendem
comprar um imóvel em 2026, percentual superior à média nacional. O dado
desmonta a narrativa de que as novas gerações não desejam comprar imóveis, e
reforça a necessidade de produtos e campanhas pensados para esse público.
Para Natiele Rios, o
setor precisa parar de tratar jovens como audiência periférica. A geração que
cresceu conectada também quer patrimônio, segurança e identidade, mas não
necessariamente aceita os mesmos códigos de produto, atendimento e comunicação.
O futuro do setor, na
visão da executiva, passa por produtos que expressem identidade, pertencimento
e estilo de vida. “O ouro está na concepção do produto imobiliário. Produtos
focados em construir comunidade, pertencimento, onde as pessoas moram fala
sobre quem são e o que acreditam”, diz.
O ponto de Natiele fecha
uma quarta camada do fio condutor: depois da confiança diante da IA, da
tradução cultural na internacionalização e da transformação da pesquisa em
valor percebido, entra em cena a necessidade de compreender o significado que
produtos e marcas assumem na vida das pessoas. No imobiliário, também se
expressa na ideia de casa, comunidade e pertencimento. No marketing como um
todo, essa mesma pergunta se desdobra em outra: como transformar exposição em
percepção de valor? É a partir daí que a neurocomunicação amplia a discussão.
Neurocomunicação:
a disputa não é por atenção, é por significado
Toda marca,
independentemente do setor, precisa entender que mensagens só ganham força
quando encontram significado no repertório de quem as recebe. E em um ambiente
em que marcas, creators, veículos, plataformas e inteligências artificiais
competem pela mesma fração de atenção, comunicar deixou de ser apenas ocupar
espaço. A disputa mais relevante não é mais por aparecer, mas por ser
compreendido, lembrado e reconhecido como confiável. É nesse ponto que a
neurocomunicação ganha força: não como uma promessa de persuasão mágica, mas
como um campo de estudo capaz de aproximar linguagem, percepção, memória,
emoção e comportamento.
Para o marketing, esse cenário muda a lógica da comunicação. Se o público está mais exposto, ele também está mais seletivo; se consome mais conteúdo, também descarta mais rápido; se recebe mais estímulos, tende a proteger o próprio foco. Alcance, portanto, não equivale a atenção. Atenção não equivale a memória. E memória, sozinha, não sustenta reputação se não houver coerência entre mensagem, experiência e evidência.
“A neurocomunicação
parte de uma premissa essencial: antes de comunicar, é preciso compreender como
as pessoas percebem, processam e atribuem significado às mensagens”, afirma
Gabriela Dias, neurocomunicóloga, jornalista e CEO da GET Comunicações –
Assessoria de Imprensa Tier 1 e Marketing Strategy. Para ela, comportamento,
atitudes, cultura e tomada de decisão são influenciados por estímulos,
vínculos, emoções, valores e contextos sociais. Em outras palavras, a mensagem
não existe isolada: ela é interpretada a partir do repertório de quem recebe.
Essa leitura ajuda a
explicar por que muitas marcas com alto investimento de mídia ainda têm baixa
lembrança, baixa confiança ou pouca diferenciação. A comunicação pode até
capturar um olhar por segundos, mas só se transforma em valor quando encontra
algum significado reconhecível para o público: uma dor, um desejo, uma crença,
uma aspiração, uma evidência ou uma experiência concreta. Sem isso, a campanha
vira ruído estético em um feed já saturado.
A discussão também ganha
relevância porque o próprio mercado começa a questionar métricas tradicionais
de performance. Alcance, impressão e frequência seguem importantes, mas já não
respondem sozinhos à pergunta central das marcas: que tipo de percepção a
comunicação está construindo? A mensuração passa a considerar, cada vez mais,
indicadores ligados à atenção qualificada, à lembrança, à confiança, à
preferência e à intenção de ação.
Esse deslocamento reforça
um alerta: medir atenção não significa reduzi-la a uma caça por segundos. A
pergunta estratégica deixa de ser apenas “quantas pessoas viram?” e passa a ser
“o que essa mensagem ativou?”, “que percepção ela construiu?”, “que memória ela
deixou?” e “que comportamento ela tornou mais provável?”. É nesse ponto que a
neurocomunicação encontra espaço no marketing contemporâneo.
“Não se trata
apenas de chamar atenção, mas de criar conexão, confiança e coerência entre o
que a marca promete e aquilo que o público realmente sente, interpreta e
reconhece como valor”, diz
Gabriela Dias. Na prática, isso significa construir narrativas mais claras,
memoráveis e emocionalmente relevantes, seja em campanhas de branding,
comunicação institucional, lançamentos de produto, gestão de reputação ou
relacionamento com stakeholders.
O tema se conecta
diretamente à crise de confiança. E na Assessoria de Imprensa, essa lógica se
torna ainda mais decisiva. A busca por veículos de referência não é apenas uma
estratégia de visibilidade, mas de associação simbólica. Estar em espaços qualificados
ajuda marcas e lideranças a serem reconhecidas como fontes confiáveis, desde
que o posicionamento seja sustentado por método, curadoria, timing editorial,
evidências e ética. “Em um ambiente digital marcado pelo excesso de
conteúdo, aparecer não basta. É preciso aparecer nos lugares certos, com a
mensagem certa e dentro de uma narrativa que sustente reputação no longo
prazo”, diz.
A força da
neurocomunicação, portanto, está menos em prometer controle sobre decisões e
mais em qualificar a forma como marcas entendem pessoas. Ela desloca a
comunicação de uma lógica puramente emissora para uma lógica interpretativa: o
que o público entende, sente, associa, confia e retém. Em mercados saturados
por conteúdo gerado em escala, esse pode ser um dos poucos diferenciais capazes
de sustentar relevância.
Liderança feminina como estratégia
de inovação e não como pauta lateral
Embora atuem em frentes
diferentes, as cinco entrevistadas também revelam outro aspecto central da
transformação do marketing: a presença feminina em posições estratégicas não é
uma pauta paralela à inovação, mas parte da própria capacidade de inovar. Em
mercados historicamente marcados por modelos rígidos de liderança, a combinação
entre repertório técnico, escuta, colaboração, leitura de comportamento e visão
de negócio amplia a qualidade das decisões.
Meggy aponta competências
como inteligência relacional, escuta ativa e construção de consensos como
diferenciais em ambientes multiculturais e de alta complexidade. Gabriela
reforça que a liderança feminina amplia repertórios e ajuda a construir
narrativas mais plurais, sensíveis ao contexto e conectadas às transformações
sociais. Natiele, no imobiliário, observa mulheres ganhando protagonismo em um
setor majoritariamente masculino, levando agilidade, inteligência emocional e
capacidade de relacionamento para negociações complexas. Mirella acrescenta que
a liderança feminina em ambientes acadêmicos e tecnológicos amplia
perspectivas, diversifica decisões e ajuda a construir ambientes mais
inovadores, justamente porque tecnologia e inovação impactam diretamente a
sociedade e precisam incorporar diferentes olhares.
O ponto comum não está em
rotular estilos de liderança, mas em reconhecer que inovação depende de
diversidade de perspectivas. Quanto mais complexos se tornam os mercados, mais
limitada fica a tomada de decisão baseada em uma única experiência, um único repertório
ou uma única leitura de mundo.
O fim do marketing de fórmula
pronta
Ao longo das entrevistas,
outro consenso aparece com força: o marketing que depende de fórmula pronta
tende a perder potência. A velocidade das mudanças tecnológicas, o avanço das
buscas generativas, a fragmentação cultural e a sofisticação dos consumidores
tornam insuficiente aplicar modelos padronizados sem leitura de contexto.
Carolina chama isso de
“síndrome do método salvador”. Para ela, frameworks ajudam a organizar o
pensamento, mas não substituem a capacidade crítica. “O método organiza o
pensamento, mas não pensa por você”, afirma. Natiele, no setor imobiliário, vai
na mesma direção ao defender que cada empreendimento exige estudo de mercado,
observação local e personalização da estratégia. “A maior sacada é voltar
para o básico: estudar o mercado da região a fundo, pôr o pé na rua, conversar
com o mercado e entender o que performa melhor naquela região”, diz.
A crítica não é ao uso de
tecnologia, dados ou metodologias, pelo contrário, todas defendem ferramentas,
analytics, CRM, social listening, market intelligence, IA e modelos de jornada.
O ponto é que nenhuma ferramenta resolve sozinha a ausência de estratégia. “Primeiro,
entenda o problema que você quer resolver antes de sair contratando a primeira
LLM que vir pela frente”, aconselha Carolina. Mirella vai na mesma direção
ao destacar metodologias como SWOT, design thinking, business model canvas e
matriz de prioridade, mas ressalta que o mais importante é desenvolver
repertório para transformar informação em decisão estratégica.
O hype passa, a reputação fica
A reportagem revela um
movimento maior do que a soma das entrevistas: a inovação em marketing está
entrando em uma fase de maturidade. O mercado já não pode se contentar em
anunciar transformação digital enquanto mantém práticas antigas de decisão,
comunicação e liderança. A tecnologia acelera processos, mas também expõe
incoerências com mais rapidez.
Nesse contexto, confiança
se torna métrica, reputação se torna infraestrutura e comunicação se torna
ativo estratégico. A marca que promete mais do que entrega perde espaço. A
empresa que usa IA sem transparência perde credibilidade. O produto que ignora
comportamento real perde aderência. A liderança que confunde pressão com
performance perde pessoas e, no longo prazo, perde mercado.
“Dá para
crescer sem perder a essência humana. Ou melhor, não é apesar dela: é a partir
dela”, provoca Carolina. A
frase sintetiza o espírito da nova disputa. O marketing pós-hype não rejeita
tecnologia, dados ou escala. Mas exige que eles estejam a serviço de algo mais
difícil de automatizar: entendimento, coerência, vínculo e valor percebido.
A próxima fronteira
competitiva, portanto, não será apenas quem domina a IA, quem internacionaliza
mais rápido, quem lança mais campanhas, quem ocupa mais canais ou quem produz
mais conhecimento técnico. Será quem consegue permanecer relevante quando o hype
muda de nome. E, nesse ponto, as cinco entrevistadas apontam para a mesma
direção: inovação de verdade é aquela que melhora a qualidade das decisões,
aproxima marcas de pessoas, traduz conhecimento em valor percebido e sustenta
confiança quando o hype perde força.
Serviço
editorial: A série
“Liderança feminina no marketing” propõe um debate atual para veículos de
imprensa especializados e discute, nesta reportagem, como a inovação no
marketing entra em uma fase de maturidade: menos guiada pelo fascínio das novas
ferramentas e mais orientada por confiança, reputação, leitura de contexto e
conexão humana, e por que mulheres líderes estão no centro dessa transformação.
Entrevistadas
(em ordem alfabética):
- Carolina Nucci – Cofounder & CMO @Conectas | Professora na ESPM
| LinkedIn Top Voice | Engineer-Marketer | TEDx Speaker
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/carolinanucci/?locale=pt
- Gabriela
Dias – Neurocomunicóloga | Marketing Strategy & Planning Specialist |
Jornalista | CEO da GET Comunicações – Assessoria de Imprensa Tier1
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/gabriela-dias-getcomunicacoes/
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/meggyoliveira/
- Mirella Silva da Silva – Coordenadora de Inteligência de Mercado do Inatel
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/mirella-silva/
- Natiele Machado Rios – Head de Marketing na Neximob – Inteligência em lançamentos imobiliários – R$10 bilhões em VGV, +20k imóveis vendidos em 23 estados
Instagram
Neximob: https://www.instagram.com/neximob/












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